Sobre o título do América

Infelizmente, só agora tive tempo de comentar sobre o título americano no último domingo – no Twitter já havia dado uma pincelada. Mas não poderia deixar de falar, sobretudo por ser uma conquista que não acontecia há tempos.

O América foi campeão incontestável. Não pelo que fez durante quase toda a campanha, que foi muitas vezes sofrível. Mas pelo incrível crescimento na reta final e as quatro vitórias sobre o ABC, sendo três delas em um espaço curtíssimo e em partidas “valendo”.

Essas vitórias sobre o rival, aliás, evitaram qualquer discussão sobre o melhor do campeonato no geral. O América acabou terminando com mais pontos, mais gols marcados, mais saldo de gols do que qualquer equipe.

Título merecidíssimo e, para mim, com um herói, muito mais até que Fabinho, craque do campeonato. Quem mudou e levou o América para a conquista foi o técnico Roberto Fernandes.

Fabinho e os alas foram mesmo os diferenciais

“Pedra cantada” por mim – e acho que por todos que vinham acompanhando os jogos do América – os alas e o volante Fabinho foram realmente os diferenciais do América na primeira partida da final do Campeonato Potiguar. Norberto (com exceção do lance do gol abecedista) e Wanderson levaram a melhor em todas as bolas com os alas do ABC; Fabinho deitou, rolou e ditou o ritmo da partida no meio-campo.

E com esses pontos cruciais, o resultado não poderia ter sido outro se não a vitória americana. O time nessa reta final de competição é outro. Se ajustou em campo e tem mais jogadores capazes de desequilibrar um jogo e dar variações táticas ao técnico.

O ABC, por outro lado, parece ter perdido o rumo e tudo de bom que havia construído durante três meses do ano. Nunca foi um time muito ágil, mas ultimamente tem sido absurdamente lento e previsível demais, além de parecer abatido depois que foi derrotado duas vezes (agora três) para o arquirrival.

O título segue em aberto, mas agora com muito favoritismo para o time rubro. Ao ABC resta mudar, fazer o que não fez nos últimos três clássicos. Se continuar do jeito que está, a taça vai para a Rodrigues Alves.

Alas americanos podem decidir o Campeonato Potiguar

ABC e América começam a decidir neste domingo o Campeonato Potiguar 2012. Sempre cercado de expectativa, o Clássico-Rei na final deste ano tem como maior tempero o fato do time rubro não vencer a competição desde 2003. Mas também porque há cinco anos os dois maiores times do estado não se enfrentam valendo um título.

Devido aos últimos acontecimentos, o América vive um momento bem melhor que o do Alvinegro. Passou de desacreditado – terminou a primeira fase apenas na quarta colocação – a forte candidato ao título, com direito a vitória sobre o próprio ABC no Frasqueirão e dois “passeios” contra o Baraúnas, que tinha como ponto forte a defesa.

Do outro lado, o ABC viveu dois traumas em menos de quatro dias. Além de perder do América, foi eliminado daquele jeito para o Vitória na Copa do Brasil. Dois revezes que, sem dúvida, podem pesar na hora de decidir um campeonato.

Mas não é só no melhor momento que o América leva vantagem. Dentro de campo, o técnico Roberto Fernandes tem duas armas que já fazem a diferença e podem fazer estragos nos clássicos que se avizinham. Pelo que vêm jogando, os alas Wanderson e Norberto são pontos de desequilíbrio. E são posições que o ABC pena. Murilo é apenas razoável e Berg vem numa má fase incrível.

Além da dupla, o time rubro tem o volante Fabinho, que também vem muito bem e já foi determinante no último clássico. Mesmo assim, fico em cima do muro para apontar o América como franco favorito ao título. Finais de Campeonato Potiguar com Clássico-Rei, aliás, quase nunca apresentaram um dos times com esse status.

ETERNOS ÍDOLOS – Roberto Carlos: o reinado começou cedo

* Publicado no Olheiros.net em 19/01/2010

Contratado pelo Corinthians, Roberto Carlos estreou na seleção brasileira aos 19 anos

Muito criticado na seleção em alguns momentos, mas sempre endeusado nos clubes em que passa. É assim que pode ser considerado o lateral-esquerdo Roberto Carlos, apesar dos 15 anos defendendo a seleção canarinho com grande maestria. Com todo o seu sucesso em campo, poucos sabem das enormes dificuldades que o garoto humilde de Garça/SP passou.

Roberto Carlos da Silva nasceu em Garça/SP no dia 10 de abril de 1973 e, embora tivesse nome de ídolo, jamais imaginou que pudesse se transformar em um dos mais respeitados laterais esquerdos do mundo. Não só conseguiu tal feito, como é desejado por grande parte das torcidas e dirigentes de times brasileiros.

Da ponta para a lateral

Dono de um temperamento forte, sem muitas papas na língua, Roberto Carlos não venceu apenas as dificuldades da vida fora de campo, mas também dentro dele. A primeira foi adaptar sua posição – desde criança, Roberto gostava mesmo era de atuar na ponta ou meia-esquerda. A segunda foi conciliar o esporte com o trabalho em uma tecelagem, com apenas 14 anos e já nos juvenis do União São João de Araras.

Em quatro anos de União, Roberto Carlos conseguiu não apenas visibilidade pessoal. Grande parte do sucesso que o time de Araras obteve na década de 90, culminando inclusive com título de Série B do Brasileirão e participações honrosas na Série A, veio através da visibilidade que Roberto trouxe ao clube.

Com apenas 16 anos, o jogador se tornou titular absoluto do time e em 1990 chegou à seleção brasileira sub-20, comandada na época por Ernesto Paulo. Um feito inédito para o clube interiorano, que até hoje nunca mais cedeu nenhum jogador pra a seleção nacional.

Em 1991, Roberto Carlos fez parte do time que perdeu a final para Portugal no Mundial Sub-20, nos pênaltis. No ano seguinte, em seu primeiro Pré-Olímpico, o Brasil não passou da primeira fase e ficou de fora das Olimpíadas de 1992 após um empate contra a Venezuela. Eram as primeiras decepções dele na seleção brasileira, com a qual viveria suas maiores alegrias e tristezas no futebol.

A estreia pela seleção principal aconteceu pouco depois do Pré-Olímpico, em 26 de fevereiro de 1992. Um dos poucos a se salvar do fracasso retumbante do time de Ernesto Paulo, ele foi chamado por Carlos Alberto Parreira para um amistoso contra os Estados Unidos, em Fortaleza. O Brasil venceu por 3 a 0, com dois gols de Raí e Antônio Carlos, e começava ali uma era, um reinado de 15 anos na lateral esquerda que, durante esse período, raramente foi ameaçado.

Passagem meteórica pelo Galo e sucesso total no Palmeiras

Poucos sabem, mas o torcedor do Atlético/MG teve o prazer de ver Roberto Carlos com a camisa de seu clube. Em 1992, antes de ser negociado com o Palmeiras, o lateral promessa do futebol paulista atuou por três vezes pelo Galo, em uma série de amistosos na Espanha. No ano seguinte, foi vendido por expressivos US$ 500 mil ao Palmeiras.

No Palmeiras, o início de sua consagração no futebol nacional. Pelo clube alviverde, vieram convocações para o pré-olímpico de 92, bicampeonato paulista (93/94), bicampeonato brasileiro (93/94) e um torneio Rio-São Paulo (93). Além disso, foi considerado o melhor lateral-esquerdo do Brasileirão em 93 e 94, tornando-se o principal candidato a substituir o até então titularíssimo da Seleção, Branco, que estava próximo de encerrar seu ciclo.

Depois de tudo isso, o caminho pra a Europa era só questão de tempo. Em 1995, a Internazionale de Milão fez uma proposta de US$ 7 milhões, quase 15 vezes mais que o valor pago pelo Palmeiras junto ao União São João três anos antes.

Paralelamente, Roberto Carlos começava a se preparar para viver seus dias de glórias na Seleção. Titular incontestável a partir de 1995, o jogador viu de perto a geração vencedora que conquistou quase tudo que disputou, mas precisou amadurecer a custa de várias derrotas que sangraram o coração do país inteiro e puseram em xeque o potencial de vários nomes hoje consagrados.

Primeiros anos de Europa: bem nos clubes, mal na seleção

Na chegada à Europa, Roberto Carlos teve um início avassalador. Em apenas sete meses de Inter de Milão, conseguiu ser destaque no Calcio e de quebra chamou a atenção do poderoso Real Madrid, comandado pelo vitorioso Fabio Capello, que estava formando um verdadeiro time de galácticos para responder à altura os investimentos feitos pelo rival Barcelona.

Com uma proposta irrecusável, o lateral foi negociado pela Internazionale e desembarcou em Madrid com pompa de estrela. Logo de cara, caiu nas graças da torcida e virou dono absoluto da posição, consolidando-se também na seleção brasileira. Em dez anos no clube merengue, ele sempre foi o dono absoluto da posição e conquistou quatro títulos espanhóis, além de três Ligas dos Campeões.

Porém, a sina antiga de alguns jogadores não conseguirem render na seleção o mesmo que nos clubes pegou Roberto Carlos. Jogando bem abaixo do que apresentava no Real, o lateral ainda teve que amargar duas das maiores decepções na seleção: o bronze em Atlanta e o vice-campeonato mundial em 98 de forma melancólica. E com dois agravantes: na semifinal de 96, o jogador fez um gol contra na derrota por 4 a 3 para a Nigéria, e em 1998 foi considerado culpado no primeiro gol francês por tentar executar uma bicicleta na linha de fundo, deixando a bola ir para escanteio. Na cobrança, Zidane abriu o placar para os Bleus.

De olho na Copa 2010 ao lado de Ronaldo

Apresentado pelo Corinthians no início do ano, frustrando mais uma vez o sonho do seu pai de vê-lo atuando pelo time de coração Santos, Roberto Carlos surpreendeu a todos com a meta de participar de mais uma Copa do Mundo. Com quase 37 anos, o jogador justifica a missão citando a dificuldade que Dunga teve para conseguir um lateral-esquerdo que o substituísse.

O lateral vai além: quer ir para a Copa e levar na bagagem o “fenômeno” Ronaldo, com o qual mantém amizade desde os tempos de Real Madrid. Com todo o potencial que já demonstrou, não será novidade se ele atingir seu alvo e “pintar” na África do Sul em junho.

Ficha técnica

Nome completo: Roberto Carlos da Silva
Data de nascimento: 10/04/1973
Local de nascimento: Garça/SP
Clubes que defendeu: União São João/SP, Atlético/MG, Palmeiras, Internazionale/ITA, Real Madrid/ESP, Fenerbahçe/TUR e Corinthians
Seleções de base que defendeu: Brasil Sub-23 e Sub-20

Atuação de Alício Pena Júnior não pode ser encoberta pelos erros do ABC

Os jogadores do ABC erraram feio ao não saberem administrar um confronto que estava ganho nesta quarta-feira contra o Vitória. Essa tecla vem sendo batida desde o apito final do jogo e ainda será pressionada mais vezes até que o torcedor alvinegro apague da memória – se é que será apagada – a trágica derrota. Acho que ninguém discorda disso também.

Mas há um ponto do jogo que ou estão esquecendo ou simplesmente estão achando que tudo é pênalti mesmo. O terceiro gol do Vitória veio de um pênalti nefando inventado pelo árbitro (?) mineiro Alício Pena Júnior, aos 46 minutos do segundo tempo. Um lance claro de choque entre jogadores – sim, futebol tem contato e nem todo esbarrão entre eles é falta – que foi marcado simplesmente porque o time baiano tem mais prestígio que o potiguar e estava jogando em casa.

Some-se a isso o fato de ter sido esse mesmo árbitro que relatou em súmula, durante a Série B do ano passado, que levou uma cusparada de um torcedor do ABC enquanto entrava no túnel que dá acesso ao vestiário destinado a ele. Sem contar o histórico de polêmicas que Alício tem no “currículo”, incluindo a invenção de um Boletim de Ocorrência num jogo da Série A de 2008.

Coincidência? Não sei. O fato é que mais uma vez o ABC foi prejudicado e eliminado da Copa do Brasil. Não por total culpa do árbitro, claro, mas com uma grande “contribuição” dele. A outra parte da eliminação foi, realmente, culpa dos jogadores do ABC.

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